Pesquisa analisa iniciativas de sustentabilidade das companhias negociadas em bolsa

O Grupo de Pesquisas em Direito, Gênero e Identidade (GPDG) da Escola de Direito de São Paulo (FGV Direito SP) concluiu o estudo “As Companhias Brasileiras são socialmente sustentáveis?”, que analisou a evolução de 62 empresas listadas no Ibovespa entre 2012 e 2016.

Para a Coordenadora do Projeto e GPDG, Ligia Pires Pinto, o tema é ainda mais relevante no contexto atual: “Se a sustentabilidade social é um olhar para o desenvolvimento das pessoas e grupos sociais diversos, dentro da companhia e no seu entorno, precisamos aprofundar nossos dados sobre o tema. O Brasil é pais em desenvolvimento, possui índices altos e crescentes de desigualdade social. As externalidades sociais negativas causadas pela atividade empresarial têm o potencial de aprofundar ainda mais este quadro de miséria, estratificação e exclusão sociais”.

Da mesma forma, acrescenta a professora, as externalidades sociais positivas e iniciativas corporativas voluntárias, aliadas a políticas governamentais são excelentes instrumentos num contexto onde muitos não conseguem satisfazer necessidades básicas, como alimentação, água, moradia e saneamento.

A principal conclusão é de que não houve avanços significativos na área da sustentabilidade social no período, ao contrário do avanço da sustentabilidade ambiental, tão observada e debatida. No entanto, o desempenho em adoção de iniciativas de sustentabilidade das companhias mistas é 36% melhor que o das companhias privadas e o desempenho das empresas que foram privatizadas é 15% melhor do que as que sempre tiveram controle privado. Na distribuição das empresas, 55 são de controle privado e sete são de controle misto, sendo que das empresas de controle privado, sete passaram por processos de privatização.

“Esse dado é significativo pois aponta um papel importante da iniciativa pública na adoção e coordenação de projetos socialmente sustentáveis no Brasil. A exposição de casos de corrupção é crescente, viu-se a criação de cargos e o aparelhamento das estatais em função de interesses políticos, tudo isso abala a reputação das estatais, mas não é possível ignorar este efeito positivo”, destaca Ligia.

Se considerar o ramo de atividade, o setor terciário tem a melhor média de pontuação em sustentabilidade, 61 pontos, contra 56 do setor secundário e 51 do setor primário. Isso significa que o setor terciário possui desempenho 16% melhor do que o setor primário na adoção de iniciativas de sustentabilidade. Entre as empresas analisadas, 15% são do setor primário, 51% do setor secundário e 34% do setor terciário.

Entre os setores de atividade, as instituições financeiras são as que têm maior desempenho em adoção de iniciativas de sustentabilidade, com 80 pontos, seguida por telecomunicações (70 pontos), energia elétrica (69), veículos e peças (65) e alimentos e produção agrícola (62). Foram desconsiderados os setores com apenas uma empresa representante, por possuírem um universo amostral muito reduzido.

Na outra ponta, os setores com pior desempenho são serviços especializados (32 pontos), siderurgia (33), papel e celulose (41), construção civil e infraestrutura (42) e bebidas e fumo (44). Isso significa que o setor mais bem colocado possui desempenho 60% melhor.

Apesar de terem mais iniciativas proporcionalmente que a iniciativa privada, constatou-se que as companhias mistas têm pior reputação, o que pode ser atribuído aos escândalos de corrupção no cenário nacional.

Segundo Heloisa Bianquini, pesquisadora do projeto, “Dentre as 10 iniciativas mais empregadas pelas companhias, metade é de cunho estritamente ambiental. Das cinco restantes, 3 são de caráter filantrópico (investimento em projetos sociais diversos), 1 é relativa à sustentabilidade na governança (adoção de código de conduta) e a outra, ao monitoramento de diversidade (censo do número de colaboradores por gênero)”.

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